sábado, 8 de agosto de 2009

Vá lá. Diga a ela o que ela quer ouvir.

Ninguém aqui sabe o que é ter de fingir uma despedida. O que é dizer 'tudo vai ficar bem, eu prometo', entrar no trem e partir pra um lugar que nem você sabe se existe. Mas vá lá, ponha um sorriso em teu rosto, disfarce uma eternidade e diga que vai voltar, mesmo sabendo que a linha do trem acaba em breve e teus sonhos não são suficiente para levá-lo onde ele tem de ir.

As lágrimas que caem conforme a distância aumenta são uma espécie de sinopse do que já aconteceu. Refletem teu sorriso, a cor de teus olhos e o pequeno papel de esperança o qual eu represento. Chega a ser hilário como uma coisa triste como a lágrima pode ostentar uma gargalhada sob a lua e um simples par de mãos inúteis, sozinhas, pode procurar teus dedos incansavelmente. O que fica é o que não pôde ser levado, o que levo ficou atrás da porta do teu quarto, entre o raio de sol que ultrapassa a vidraça da janela e a tua cama.

Tudo acaba quando a chuva se vai - nada disso seria triste o suficiente se não houvesse montanhas de nuvens pretas sobre o guarda chuva. O silêncio vai ficando cada vez maior, mas eu mal posso ouvir teus passos na direção contrária à que eu estou seguindo. Ouço o maquinista dizendo que o trem vai partir. Você já foi embora. Olho pra trás e só vejo um reflexo de cores que deveriam ser felizes.

Ninguém aqui sabe o que é fingir uma despedida.

*Quando me acordar, diz que me ama.

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