domingo, 13 de dezembro de 2009

eu já não tenho voz pra gritar isso.

Eu tenho tanto a dizer. Eu tenho tanto, tanto medo a soprar.

Queria que tudo fugisse. Tudo sempre foge mesmo. Dê três passos e veja teu sofá se afastando de você.

Eu realmente queria ter coragem, apenas coragem. Pra dizer:

'Aliás, me diz o que você quer, por favor? Porque eu quero viver com você o resto da vida. Quero dividir todos os meus tetos em teu sorriso. Quero que você corra dos meus fantasmas como eu enfrento os teus. Apenas metade, metade do que eu insisto em dizer pra você. A poeira, que seja, do caminho que eu fiz pra chegar até aqui.'

Mas eu não tenho.

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Me diz que eu não estava errado quando abandonei a minha vida pra viver a nossa. Por favor.

Por favor.

-

atéquando.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Alice, sou o Chapeleiro.

Cheguei tarde hoje. Não me pergunte sobre o tempo, eu também não sei sobre a richa que ele insiste em manter comigo. Peço para voltar e ele insiste em queimar minha roupa, peço para avançar e ele se mantém como se gelo fosse.
*
De qualquer forma, cheguei. Após algumas mutilações, é verdade, mas insisto em voltar para preparar o que é meu. Experimente encontrar um diamante, lapidá-lo e deixá-lo nas mãos de quem não conhece. Ele voltará a ser carbono, apenas.
*
Enfim, cheguei. Diferente do que partiu, mas voltei, como se ao teu lado fosse meu lugar. O único lugar.
*
Cheguei. Preparei a mesa, há suco de pêssego na jarra verde e bolachas de manteiga a sua frente. Em todos esses bules há chá e em todas essas cadeiras não está você.
*
Cheguei, espero você chegar também.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A cigarra e a formiga.*

Eu vou escrever aqui pra ver se enxugo um pouco isso.

Passei o ano inteiro longe. Desde janeiro me enclausurei num casulo onde apenas eu me alojava. Passei frio, medo, fiquei sozinho. Bem sozinho. Isso por que talvez seja a segunda vez que esteja abandonando a velha cidade abandonada. A primeira foi pior, por que disse adeus a todas as pessoas que me queriam bem e me permaneci dentro delas, como se fosse a décima segunda bala esquecida dentre as mais finas costelas.

Hoje é oficial, e um tanto hilário. Me despeço, mas deixo um pedaço de mim [talvez o melhor] dentro de cada olho d'água. E dessa vez conscientemente.

As lágrimas que provavelmente vão ficar no chão daquela rodoviária imunda vão refletir mais que o barulho do trem. Vão mostrar todos os momentos bons que passamos juntos, todas as vidas que ficaram para trás para nos tornarmos o que somos hoje. Talvez seja bom.

ou não.

Durante todo esse tempo, vocês supriam a ausência que uma moça costurou em mim. Quando eu não sabia o que fazer, vocês me diziam, me defendiam de quem não estava/está tão preocupada comigo. Aliás, gritavam. Gritavam por que sabiam que era a única coisa que eu escutava. Estava meio cego meio a tantas vozes dizendo adeus, bom dia e boa noite.

De qualquer forma, escrevo pra lembrar aquele dia em que conheci vocês, ou pra não esquecer aquela lua, nem as notas desafinadas na praça, as tentativas de embriaguez, a classe inteira transformada em um único amigo, a amiga de última hora e as discussões ridículas. Na verdade eu estou simplesmente transpondo o que está tatuado no meu peito esquerdo há um certo tempo e nunca tive coragem de mostrar.

É tarde.

Parto com um sentimento de revolta, sabendo que nunca fui o suficiente para vocês.

Não se preocupem, talvez eu seja apenas essa metade que vocês conheceram.

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Luh, tua maquiagem está borrada. Miss, vem de allstar. Rick, pensa em você. Fer, simplesmente obrigado. Wagner, seja o que quer ser. Mari, volta. Gabi, eu te amo.

sábado, 31 de outubro de 2009

http://danilogentili.zip.net/
http://casadanegrita.wordpress.com/2009/07/28/acusado-de-racismo-danilo-gentili-tera-seus-comentarios-e-analisados-pelo-ministerio-publico/
http://www.pgr.mpf.gov.br

Dizem que bananas serão analisadas pelo Ministério Público Federal.

Eu acabei de ler sobre isso e achei absurdo o suficiente pra escrever aqui. [É, estou sem assunto.]

Danilo Gentili, repórter já experiente do CQC, está sofrendo ameaças cordiais [porque a única diferença entre um post no twitter e um artigo na constituição é que o twitter pode ser atualizado a cada minuto] por um comentário MUITO, mas MUITO maldoso que ele fez naquele site onde todo mundo escreve meia dúzia de caracteres.

"Agora no TeleCine KingKong, um macaco q depois q vai p/ cidade e fica famoso pega 1 loira. Quem ele acha q e? Jogador de futebol?"

Pegou sujo. Do kingKong ninguém fala ok. NINGUÉM.

Engraçado, até então o cara era a revelação do humor na atualidade. Enquanto ele tava tirando sarro do Padre, do Bigode e dos artistas tudo bem, mas quando ele começa a falar das pessoas que estão ao nosso redor o leão fica bravo.

É incrível como o brasileiro segue em sua mania de intocável. Enquanto falam dos gays na ZorraTotal, está tudo bem. Enquanto falam dos caipiras no ShowdoTom tudo bem. Mas chegou no twitter e falou de uma parcela da população que de minoria não tem nada. "É Preconceito. Menino mal, não te deram educação?".

Nem gosto de falar de educação. Ainda mais do idiota do Danilo Gentili. Mas ao menos ele assume que é. Não usa da mídia que ele venceu pra posar de carioca surfista à beira de Copacabana.

O Danilo teve todos os motivos pra desistir de se tornar o ícone que é, mas nunca teve que apelar pra uma história que ele não viveu. Imagina se ele chegasse na inscrição da faculdade e dissesse " Eu quero 33, 3% a mais de pontos porque meu avô, por parte de tio, levou um soco no olhos esquerdo de um gaúcho latifundiário." Mas dessa fala pra "Inscrição de afrodescente" não há diferença alguma.

O Gentili sabe o que é ser minoria. Ser um idiota um pouco mais inteligente que a maioria dos idiotas não é fácil. Além do mais, ele não teve nenhuma cota pra continuar vivo após a morte de seu pai, continuar vivo após uma universidade tosco, continuar vivo após estágiário de um shopping, continuar vivo vivendo apenas das coisas que ele fez e conquistou.

Não sei se vocês viram. Digitem no google de novo. Danilo Gentili. Vai aparecer um link sobre ele ser preso em Assis. A polícia prende. O Ministério Público defende. Ambos são de um mesmo Poder, o Público. Ele foi preso por estar disfarçado de mendigo.

Quanto preconceito com os mendigos. Espero que Hélio de la Peña POSSA encontrar uma falha no contrato de vida e morte com a Globo pra poder rir dessa piada.

Deveria haver cotas para pessoas inteligentes.

sábado, 24 de outubro de 2009

Diz.

Eu nao queria estar escrevendo. A pena pode acabar borrando o texto mais bonito que já fiz, o tinteiro pode cair sobre o papel e

um ano de história.

Insisto.

A cada arranhão que você ousa causar em mim, cai um trecho de tua coragem. Durante meses, não soube o que fazer com tal sentimento, que forrava o chão de sangue e de você. Quase me afogando em nós, descobri que essa coragem podia tapar as feridas que foram abertas e mesclar-se a minha pele, formando uma espécie de armadura tua em mim.

Fui colhendo peça a peça de teu ousar, pondo sobre as chagas. A dor era lacerante, vinha de braços, coração e olhos, à mente, à boca e pulmões, estufando veias e me fazendo mal. Mas insistia, seguia como se fosse a única alternativa.

Éramos nós, eu ou você.

Hoje, vejo que esse revestimento já está quase completo. Já nem há vermelho no chão e tuas unhas estão cada vez mais gastas. Entrei nesse jogo debilitado e saio como você. Posso enfrentar qualquer desculpa que venha a nos atrapalhar, qualquer peça que queira sair do tabuleiro, qualquer trem de ferro que ultrapasse nosso caminho.

Hoje sei que sou forte, igual a você.

Que venha o mundo, meu bem.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Pense no que foi.

sem mais;

sábado, 3 de outubro de 2009

Este lado para cima.

Se a cada riso que te entrego perco dois, por que continuo escrevendo em você, céu?

Por que me escolheu pra contrariar tudo?

Se sabia que eu era fraco, era bobo, por que decidiu transformar minhas exclamações azuis quase certas em tortos pontos de interrogações vermelhos?

Se sabia que eu me apagaria após a primeira onda, por que me pôs na praia?

Se meu grito nunca foi mais forte que um rémaior, por que me escolheu pra cantar?

Se meus pés mal sabem andar, por que me chamou pra dançar?

Se você, céu, sempre está negro, por que me deu tinta preta?

Se tudo que eu venci está condicionado, por que não perdi?

Se todas as palavras que eu ganhei mal formam uma frase, por que insiste em mentir?

Se a mulher que eu amo não está aqui, por que rí?

Se as pessoas que um dia me juraram eternidade se mesclaram nas tuas nuvens, por que não chove?

Se meu rei sempre cai, por que insiste em jogar comigo?
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Por que não volta a ser azul? *

sábado, 19 de setembro de 2009

Carta, segunda.*

Da distância passar a ser maior que os centímetros que nos polarizam.
De tua ausência passar a ser maior que os segundos que você não está aqui.
De teu riso estar chamando outras piadas.
Tuas lágrimas caírem em novos ombros.
Teus versos falarem de algo a mais.
Teu rio se desviar do curso do meu.
Tuas fotos revelarem novos fatos.
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quem tem medo ama.
A nossa música estava bem alta.

Pelo menos dentro de nós estava. Dizem que não houve sequer uma valsa. Não acredite.
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Todas as letras que eu tento enxergar deixam isso mais óbvio. Não consigo acreditar em mais nada. Admiro a capacidade dos escritores em mentirem, dos músicos em enganarem, das vozes a chorarem, da noite ao cair. Mas não me engano mais.

O que existe realmente não está aqui. Está também bem além dessas letrinhas míudas que penduro na porta da geladeira. O real está dentro de você. Está no que você sente e passa a acreditar.

Não importa se teus amigos dizem que você não consegue, se tua vizinha não conhece ninguém que conseguiu, se a tua rua não desemboca no que almeja. Ande, faça, coloque em prática todas as coisas que não te ensinaram, que nunca souberam te explicar ou simplesmente te esconderam.

A gente precisa aprender que o destino não é feito pelo coser de uma senhora de idade, que fica dia e noite costurando fios e fios, teando o final de cada um dos sonhos de todos que dormem.

O destino somos nós. O destino é todas aquelas canções que você esconde na gaveta pra ninguém ler, é todo quadro que você pintou e deixou sob o pano, todo enredo que você escreveu e apagou rapidamente, toda foto nova que voce deixa de revelar, todo sorriso que você deixa de dar por medo de ser feliz.

Faça o que você quer ser. Seja o que quer fazer.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

18 invernos e algumas primaveras.

Amanhã completo dezoito anos.


*Ninguém precisa ler isso. Só vou escrever pra poder ler de novo ano que vem.

Minha infância foi boa. O guri de cabelo à playmobill, tênis desamarrado e pulmão à metade soube aproveitar bem todos os momentos que teve. Pedia histórias na cama, brincadeiras em qualquer lugar e com qualquer pessoa, repudiava aquelas seis cordas vibradas das oito da manhã às dez da noite, pintava papéis e desenhava sol em qualquer dia chuvoso.

Foi ingênuo o máximo que pôde. Adequou-se às normas da igreja, que provavelmente nem sabia o que era uma criança, vestiu-se conforme a moda de teus avós, ouviu o que a rádio tocava, assistiu o que a tevê transmitia e emburreceu.

*Lembro que até o momento que não tive contato com o mundo exterior eu era um piá bem feliz. Não tive muitos amigos até os sete anos. Entrei na escola sabendo ler e escrever. As crianças recortavam As e Bs e eu lia as aventuras de Emília. Garoto prodígio. -N

Foi pro fundamental. Escola grande, listas enormes, teu nome se perdia em meio a tanta gente. A partir de então, descobriu que precisava jogar futebol; usar um tênis de palhaço, sola society hipermegabluster, com adesivos azuis e pretos [vermelho?]; vestir roupas largas e estampadas na vitrine das lojas fixadas no caminho à escola; se apaixonar, enfim, adequar-se ao que todos faziam.

*Nem sabia o que era gostar de alguém. A Ana sabia, a Cláudia também. Mas eu não.

Ficou negro. Passava domingos e domingos correndo num campo onde a grama lembrava o cerrado mato-grossense, deixava momentos com a família para ficar com os amigos [ondeestão?]. No momento que percebeu ter se encontrado, foi o momento que mais se perdeu. Estava ali, entre todos os pontos azuis, com um topete que perturbava a órbita da lua e aquelas calças pula-brejo. Um botão na casa do alfaiate.

*Era horrível, mas me achava O guri da Fioravante.

Teu pai teve de viajar e levou toda a família junto. Relutou. Como ia ficar sem teus amigos, como ia abandonar tudo aquilo que esteticamente conquistou? Foi. Amarrado ou não, foi. Aproximou-se pouco [beempouco] da capital e distanciou-se de Mato-Grosso. Nada mudou. Aliás, descobriu que foi bom. A população da cidade que mal tinha farol se encontrou com um exemplar novo do que era vendido em todas as lojas e aceitou de bom grado.

*Entrei no teatro. Li umas coisas, reli outras. Escutei música. Tinha muito que mudar.

Essa transformação foi a mais lenta possível. Tinha já dezesseis anos e ganhou uma bolsa numa escola particular. Não que merecesse, mas passou a estudar mais. Tentava fugir da sinonímia entre gente inteligente e gente chata [nãoconseguiu,claro]. Vestiu boinas, amarrou uns panos em umas roupas estranhas, tentou mudar o mundo, escreveu um espetáculo, entristeceu-se, riu bastante, bebeu, ficou doente.

*Essa fase foi a mais engraçada. Descobri umas pessoas legais aqui mesmo, onde eu morava. Vizinhos meus havia tanto tempo e eu, cego, não percebi. A gente viajou pelas cinco praças de Álvares Machado, perturbou os carros de som o quanto pôde, fez sombras em circos, tempestades em copo d'água. Nos descobrimos, realmente. Éramos em alguns. Todos se amaram e juraram fidelidade eterna.

No ano seguinte, foi transferido pra uma escola-universidade. Bem mais rígida, conseguiu o destaque que queria. Ao conseguir, queria abandoná-lo. Conheceu muita gente e fugiu delas rapidamente. Foi encontrar quem queria num recipiente de tintas pretas e brancas sugador de mentes e crianças.

*Eu já escrevia. Mal, mas ecrevia. Ela leu e mentiu. Eu me apaixonei pelo sorriso dela. Estava atrasado pro show de blues [cigarros, gente estranha, eu e mamãe] e a gente falando sobre sonho. Eu nunca havia falado sobre sonho. Havia escutado talvez, mas nunca conversado com alguém sobre o que eu sempre quis fazer e sentir. Guria interessante, ponto.

Dezessete anos. Um mês depois, namorando. Um mês depois, o primeiro concurso. Um mês depois, vestibular. Concurso, pro TRT da 2º região, São Paulo. Não sabia nem o que era gabarito, tinha ido pra cidade cinza uma única vez, com teus tios. Dessa vez foi sozinho e assim ficou na Barra Funda por umas três horas.

*Foi um baita de um baque. Eu encontrei prédios que andavam, pessoas-robôs e muita, muita sujeira. A cidade perfeita.

Fez a prova e é claro que foi mal. Quase-gabaritou Português e quase-anulou a parte de Direito. Vestibular, 50 por vaga, Radio e TV, Bauru. Sabia que por mais que tivesse se destacado por onde passou, não conseguiria desbancar 49 cabras que repetiam a prova por uns cinco anos.

*Eu não consigo encontrar meu nome nos dados da UNESP. Das duas uma, ou eu fui mal a ponto deles me banirem do sistema ou eu passei, fui chamado e não vi. Não acredito em nenhuma das hipóteses.

Fim do ano. Ele e a garota-virtual 100por100to 100sual já se comunicavam por telefone. Depois de muitas, muitas noites mal-dormidas. Não foi fácil. Em verdade, foi muito, muito complicado. Se conheceram após doismeses e meio de namoro. No início desse ano.

*Esse ano. Foi o mais dificil da minha vida. Eu li o que provavelmente vocês leram até aqui e descobri que era um fracassado. Passei metade do texto querendo ser igual aos outros e a outra metade ser diferente deles. Como se não bastasse todo meu histórico de perdedor, continuei andando os trilhos a pé. Assisto meu pai chegando exausto todo dia, me tornei a rosa dos ventos do estado de São Paulo, passei boa parte desses nove meses colecionando promessas, fazendo promessas, fiquei desacordado por noites seguidas e dormi dias e dias. Continuo fazendo concurso. Continuo quase-gabaritando português, mas agora já entendo pouco mais de direito. Não posso mais abandonar isso. Estou perto e por mais que seja árduo aceitar ser um aspone, concordar com várias regras que não existem, não posso ser ignorante a ponto de não perceber a proximidade do que preciso.

Amanhã completo dezoito invernos. Tenho muito o que contar, preciso encontrar um final adequado aos meus textos, que quase sempre têm uma parada brusca em seu desenvolvimento, tenho de encontrar as palavras que perdi, tenho de me perder de novo, tenho muito o que escrever.

Tenho muito o que viver.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

MANJA A PORRA DESSA DISTÂNCIA?

Ela não vai acabar com nada.

Sabe aquelas palavras que vivem sendo repetidas? 'Não. Idade.Você não sabe. Na tua fase eu.'

Põe elas na mochila. E foge.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

baile de máscaras.*

Eu não tenho mais fôlego algum.


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já escrevi uns cincotextos. Deleteitodos.
Eu só quero uma coisa. Que chova o dia inteiro.

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Eu tenho medo de qualquer palavra que se vingue de mim.

sábado, 29 de agosto de 2009

Se eu não posso te levar, se entrega.

Nostalgia.

São muitos os títulos que se encaixariam nesse texto. Um deles é teu nome.

Eu já ensaiei todos meus rostos de surpresa, tropecei em todos os pontos estratégicos, consumi todos os abraços que podia. Qualquer barulho no portão parece ser você chegando, qualquer passo a mais no fundo de casa parece sair do teu allstar vermelho.

Eu mesmo vou arrumar teu quarto. Já deixei dois travesseiros juntos, pra tua cabeça ficar pouco mais levantada que o corpo. Passei a tarde arrumando o ventilador- se não estiver calor não precisa usar, tenho medo de você estranhar o sol daqui-. Falando em sol, a gente vai ver as estrelas de que eu sempre te falei. Já limpei a área várias vezes, conheci como o vento pode ser chato quando a gente tenta tirar as folhas secas do lugar. Nós podemos ficar ali.

Pedi pra minha mãe fazer aquele negócio com chocolate que você tanto gosta. Separei as fotos que ela pode mostrar e as que eu não quero que você veja [nestas estão inclusas as da minha formatura do fundamental]. Fica tranquila, eu já disse que você é bem tímida, ela não vai estranhar.

Meus amigos vão ficar histéricos. Sempre contei de você pra eles. Uns até acham que é mentira, outros me pediram pra desistir. Eles só falam porque não viveram o que a gente viveu.

Eu posso te mostrar o ponto mais bonito da cidade. Ela não tem nenhuma catedral, torre ou relógio, mas se observada de longe tem lá seu charme.

Vou te apresentar os lugares que me escondem quando acontece alguma coisa. Vou te mostrar as pessoas que me abraçam quando a lua cai.

Toma cuidado com o meu cachorro. Ele não é muito normal.

Sabe, pode ser o dia mais feliz da minha vida. Nunca reuní tudo que eu gosto num só lugar. Deve ser bom.
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*escutando cazuza/ rs

sábado, 22 de agosto de 2009

*'você é altruísta demais'

É algo maior que uma máscara. Lembra mais uma armadura.

Eu não deixei de fazer meus martírios diários e minhas desculpas esfarrapadas ainda estão perdidas em mim. Os primeiros escondi por debaixo dos olhos, as segundas ainda faço em silêncio. Não que isso seja melhor pra mim. Pra alguém é.

Ver que as pessoas não têm de se preocupar comigo me deixa bem mais à vontade pra continuar. Eu sei, é ridículo isso. Mas é que vendo cada um seguir a linha a que foi destinado, sem ficar parando pra desatar um nó e outro provocado por mim, me deixa mais tranquilo.

Eu tenho optado por deixar de falar a falar e machucar alguém. Tem sido assim. Acho que tenho pólvora ao invés de saliva. Mas toda noite, antes de dormir, tento me perdoar pelo que não disse, tento me conformar com os sorrisos das pessoas que gosto.

Os sorrisos deles são os meus.

sábado, 15 de agosto de 2009

sobre futilidade.*

Creio que uma das poucas coisa das quais eu me orgulho é não ter vivido isso.

A gente percebe que algo está errado quando um microfone vale mais que o conjunto de vozes amigas. Sabe qual o preço de uma palheta? A mais cara, uma 'strimberg original' é no máximo cinco mangos. Se você for onde eu compro, eu convenço o tatooman a lhe vender pela metade do preço. Uma de cinquenta centavos, eu tenho uma dessas, traz uma baita felicidade.

Palheta não faz acorde.

Eu fiquei sabendo de histórias em que uma palheta custou pessoas. Incrível que, como se não bastasse a troca de um objeto por UMA pessoa, o pequeno pedaço de plástico foi trocados por VÁRIAS vidas.

Juro que gostaria de saber o que passa na cabeça de alguém que vê em seis cordas de aço algo maior que uma risada na frente do portão. Juro que gostaria de saber se vale a pena trocar beijos por fama; trocar os próprios nomes por símbolos, com a intenção de se tornar do mundo pop.

No meu mundopop eu vejo pessoas que fizeram isso valer a pena. Eu vejo um cara que apanhou a infância inteira, aprendeu a cantar e morreu em cima da imprensa. Eu vejo uma trupe que se recusa a vender tuas músicas. Eu vejo um cara que saiu do nordeste pra tentar a vida do outro lado do Brasil. Eu vejo uma guria que se despediu mais que se encontrou. Eu vejo pessoas que me deram a vida. Eu vejo um cara que ajudou sequer conhecia. Eu faço meu mundo pop.

Eu me recuso a acreditar na existência de pessoas que morrem a fim de se transformar em algo que não são. Eu não sei se elas nascem numa manhã de domingo e pensam: 'Ah, hoje vou subir no palco de quem?'. Não sei se o cartão de crédito delas se transforma numa festa como ratos viram cavalos e abóboras carroagens. Não acredito que elas realmente não enxergam que a maioria das pessoas que idolatram vão dar as costas a elas na primeira oportunidade. Com o bolsocheio e uma alma vazia.

Sabe, eu tenho desprezo. Galinhas deveriam rosnar.

sábado, 8 de agosto de 2009

Vá lá. Diga a ela o que ela quer ouvir.

Ninguém aqui sabe o que é ter de fingir uma despedida. O que é dizer 'tudo vai ficar bem, eu prometo', entrar no trem e partir pra um lugar que nem você sabe se existe. Mas vá lá, ponha um sorriso em teu rosto, disfarce uma eternidade e diga que vai voltar, mesmo sabendo que a linha do trem acaba em breve e teus sonhos não são suficiente para levá-lo onde ele tem de ir.

As lágrimas que caem conforme a distância aumenta são uma espécie de sinopse do que já aconteceu. Refletem teu sorriso, a cor de teus olhos e o pequeno papel de esperança o qual eu represento. Chega a ser hilário como uma coisa triste como a lágrima pode ostentar uma gargalhada sob a lua e um simples par de mãos inúteis, sozinhas, pode procurar teus dedos incansavelmente. O que fica é o que não pôde ser levado, o que levo ficou atrás da porta do teu quarto, entre o raio de sol que ultrapassa a vidraça da janela e a tua cama.

Tudo acaba quando a chuva se vai - nada disso seria triste o suficiente se não houvesse montanhas de nuvens pretas sobre o guarda chuva. O silêncio vai ficando cada vez maior, mas eu mal posso ouvir teus passos na direção contrária à que eu estou seguindo. Ouço o maquinista dizendo que o trem vai partir. Você já foi embora. Olho pra trás e só vejo um reflexo de cores que deveriam ser felizes.

Ninguém aqui sabe o que é fingir uma despedida.

*Quando me acordar, diz que me ama.