segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Cadeiras Vazias.*

Sete dias. Quem diria.

Este desenho mal feito não foi preenchido e nem será tão cedo. Acostuma-se então com os roteiros já vividos, músicas inglesas e brasileiras, pois é tudo que vai ter.

Aliás, você ganhou cadeiras vazias te perseguindo por onde quer que vá. Sofás gritando silêncio, cadeiras metálicas, de madeira, século XVIII. Todas vazias. Todas rindo. Todas dizendo que tem que conseguir alguém pra te acompanhar, é perigoso sair assim, mas nenhuma propondo a te acompanhar.

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E todos perguntam dela. Eu simplesmente não sei dela. Faz tempo que não sei dela. Ela vem, senta na minha frente, chora, pede desculpa e sai. Nada é profundo entre nós. Eu fico esperando a próxima vez. Aliás, na verdade quem fica sentada é ela. Quem vai sou eu, sempre esqueço de algo, volto. Ela pergunta se desisti de desistir. Digo que só fui pegar a toalha, deixei jogada na cama. Ela volta a chorar. E pede desculpa por algo que não fez, ou fez, ou algo que pensou e não disse, e queria ter dito, talvez. Em segundos ela esconde tudo isso que fiz, tua roupa fica suja, todos perguntam o que é, disfarça dizendo que foi pimenta, ou algo assim. Vai ao banheiro, chora. Volta, ri. Fala comigo, ri e chora. Daqui pra frente vai melhorar, todos os dias. Mas daqui pra frente vai melhorar. Daqui. Daqui. Daqui.

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Não perguntem de mim. Saí faz tempo, não sei se volto. Tranquei as janelas também. Dizem que quando o vento sopra a cortina as pessoas veem, e ríem. Como se contorce. Que martírio falso. É tão feliz e se faz dessa lástima. Desse lado da janela acontece o mesmo. Como deslizam. Que felicidade torta. São tristes e vendem sorrisos. E quando o lado de dentro se choca com o de fora,ninguém fala nada. Damos as mãos, rezamos, dançamos, falamos sobre músicas, religão e drogas. Como são ruins.

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