A obsessão pelo céu fez os dois voarem.
Caíram várias vezes, como é das pessoas voarem e caírem, mas construíram no céu e também no mar um esconderijo, onde se encontravam para afastar as mentiras e livrar-se das constantes ameaças feitas pelo mundo.
Muito obrigado. Valeu a pena cada pena caída, volte a construir suas asas.
E voe, Paloma.
domingo, 28 de novembro de 2010
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Cadeiras Vazias.*
Sete dias. Quem diria.
Este desenho mal feito não foi preenchido e nem será tão cedo. Acostuma-se então com os roteiros já vividos, músicas inglesas e brasileiras, pois é tudo que vai ter.
Aliás, você ganhou cadeiras vazias te perseguindo por onde quer que vá. Sofás gritando silêncio, cadeiras metálicas, de madeira, século XVIII. Todas vazias. Todas rindo. Todas dizendo que tem que conseguir alguém pra te acompanhar, é perigoso sair assim, mas nenhuma propondo a te acompanhar.
--
E todos perguntam dela. Eu simplesmente não sei dela. Faz tempo que não sei dela. Ela vem, senta na minha frente, chora, pede desculpa e sai. Nada é profundo entre nós. Eu fico esperando a próxima vez. Aliás, na verdade quem fica sentada é ela. Quem vai sou eu, sempre esqueço de algo, volto. Ela pergunta se desisti de desistir. Digo que só fui pegar a toalha, deixei jogada na cama. Ela volta a chorar. E pede desculpa por algo que não fez, ou fez, ou algo que pensou e não disse, e queria ter dito, talvez. Em segundos ela esconde tudo isso que fiz, tua roupa fica suja, todos perguntam o que é, disfarça dizendo que foi pimenta, ou algo assim. Vai ao banheiro, chora. Volta, ri. Fala comigo, ri e chora. Daqui pra frente vai melhorar, todos os dias. Mas daqui pra frente vai melhorar. Daqui. Daqui. Daqui.
--
Não perguntem de mim. Saí faz tempo, não sei se volto. Tranquei as janelas também. Dizem que quando o vento sopra a cortina as pessoas veem, e ríem. Como se contorce. Que martírio falso. É tão feliz e se faz dessa lástima. Desse lado da janela acontece o mesmo. Como deslizam. Que felicidade torta. São tristes e vendem sorrisos. E quando o lado de dentro se choca com o de fora,ninguém fala nada. Damos as mãos, rezamos, dançamos, falamos sobre músicas, religão e drogas. Como são ruins.
Este desenho mal feito não foi preenchido e nem será tão cedo. Acostuma-se então com os roteiros já vividos, músicas inglesas e brasileiras, pois é tudo que vai ter.
Aliás, você ganhou cadeiras vazias te perseguindo por onde quer que vá. Sofás gritando silêncio, cadeiras metálicas, de madeira, século XVIII. Todas vazias. Todas rindo. Todas dizendo que tem que conseguir alguém pra te acompanhar, é perigoso sair assim, mas nenhuma propondo a te acompanhar.
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E todos perguntam dela. Eu simplesmente não sei dela. Faz tempo que não sei dela. Ela vem, senta na minha frente, chora, pede desculpa e sai. Nada é profundo entre nós. Eu fico esperando a próxima vez. Aliás, na verdade quem fica sentada é ela. Quem vai sou eu, sempre esqueço de algo, volto. Ela pergunta se desisti de desistir. Digo que só fui pegar a toalha, deixei jogada na cama. Ela volta a chorar. E pede desculpa por algo que não fez, ou fez, ou algo que pensou e não disse, e queria ter dito, talvez. Em segundos ela esconde tudo isso que fiz, tua roupa fica suja, todos perguntam o que é, disfarça dizendo que foi pimenta, ou algo assim. Vai ao banheiro, chora. Volta, ri. Fala comigo, ri e chora. Daqui pra frente vai melhorar, todos os dias. Mas daqui pra frente vai melhorar. Daqui. Daqui. Daqui.
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Não perguntem de mim. Saí faz tempo, não sei se volto. Tranquei as janelas também. Dizem que quando o vento sopra a cortina as pessoas veem, e ríem. Como se contorce. Que martírio falso. É tão feliz e se faz dessa lástima. Desse lado da janela acontece o mesmo. Como deslizam. Que felicidade torta. São tristes e vendem sorrisos. E quando o lado de dentro se choca com o de fora,ninguém fala nada. Damos as mãos, rezamos, dançamos, falamos sobre músicas, religão e drogas. Como são ruins.
sábado, 6 de novembro de 2010
Sobre o nada.
O tinteiro caiu de novo.
O destino parece não querer que eu escreva.
- 'Lá vai. Se queixar da vida. Bom emprego, confidente mulher, família estruturada.'
Devo ter um espelho muito torto.
Despejo pessoas, convivo com gente que recebe de mim e você para ficar com medo.
As desculpas vêm em ritmo frenético, a cada noite e a cada manhã o 'bom dia' está cada vez mais sádico. Desconfia saber o que é ter tudo isso em mim, o que é perceber estar sozinho com todos os seus fantasmas por aí e concorda com o destino. Se queixar demais talvez seja tua principal arma.
O que os vizinhos sabem não é o que se passa além da porta de entrada.
Eu vou desistir. Obrigado.
O destino parece não querer que eu escreva.
- 'Lá vai. Se queixar da vida. Bom emprego, confidente mulher, família estruturada.'
Devo ter um espelho muito torto.
Despejo pessoas, convivo com gente que recebe de mim e você para ficar com medo.
As desculpas vêm em ritmo frenético, a cada noite e a cada manhã o 'bom dia' está cada vez mais sádico. Desconfia saber o que é ter tudo isso em mim, o que é perceber estar sozinho com todos os seus fantasmas por aí e concorda com o destino. Se queixar demais talvez seja tua principal arma.
O que os vizinhos sabem não é o que se passa além da porta de entrada.
Eu vou desistir. Obrigado.
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