Mês passado ele perdeu três quilos, três anos, o sono, a ânsia e a crença.
Andava olhando o chão, vendo aquele cabelo bagunçado, o reflexo de um óculos barato e os pés grudados aos dele. Não sabia quem era, se o desenho no chão ou o pedaço de carne. São tantas as sombras que chegavam a sua frente, precipitando-se, vivendo pouco mais que o tempo da lua, às vezes sendo três, quatro, muito mais que o parâmetro, vivente de poucas horas, que imaginava ser imortal, deixando a vida ser levada pelas paredes, chão ou tudo que a luz não alcança.
Deixou-se e suas sombras criaram vida.
Elas correm ferindo a qualquer um, fingindo ser tristes, bebendo veneno, cuspindo fogo, negando a si. Degladiam-se. Querem ser cada vez maiores e desfazem-se em pouco tempo. Da mesma forma, multiplicam-se, confundindo a todos, os quais decepcionam-se sempre que vão a um lugar sem luz. A qualquer lugar, na verdade.
Sonham tomar o outro plano, deixá-lo enforcado e preso ao chão e passar a ser felizes comprando, fingindo, fumando. E ele,sem criar resistência, aliás, mortos não resistem, se deixa entregar, mas nunca vai ao chão, como se algo o segurasse, como se seus braços, suas mãos, seu rosto e pernas estivessem presos a uma corda que liga a outras mãos, no alto, e feito um títere vagueia em branco, com seus olhos feridos, suas roupas sem cor, extravasando lágrimas em telas, filmes, músicas e prédios. Não acredita. Aliás, mortos não creêm. Nada que dependa de alguém, em movimentos daqueles ditos superiores, hipócritas disfarçados de livros, herois de cueca sobreposta ao rosto ou agricultores de apartamento. Os livres.
Esse alguém que o conduz, não sabe mais quem é. Acreditava ser alguém, mas ela fugiu. Foi comprar cigarro. Ele sofreu. Aliás, os mortos sofrem. Mas continua preso a alguém. Talvez sejam os pássaros de Saramago. Hitchcock. Talvez às nuvens.
Ou talvez não haja ninguém e ele apenas desistiu.
Mas cuidado, há sombras por onde houver luz.
Andava olhando o chão, vendo aquele cabelo bagunçado, o reflexo de um óculos barato e os pés grudados aos dele. Não sabia quem era, se o desenho no chão ou o pedaço de carne. São tantas as sombras que chegavam a sua frente, precipitando-se, vivendo pouco mais que o tempo da lua, às vezes sendo três, quatro, muito mais que o parâmetro, vivente de poucas horas, que imaginava ser imortal, deixando a vida ser levada pelas paredes, chão ou tudo que a luz não alcança.
Deixou-se e suas sombras criaram vida.
Elas correm ferindo a qualquer um, fingindo ser tristes, bebendo veneno, cuspindo fogo, negando a si. Degladiam-se. Querem ser cada vez maiores e desfazem-se em pouco tempo. Da mesma forma, multiplicam-se, confundindo a todos, os quais decepcionam-se sempre que vão a um lugar sem luz. A qualquer lugar, na verdade.
Sonham tomar o outro plano, deixá-lo enforcado e preso ao chão e passar a ser felizes comprando, fingindo, fumando. E ele,sem criar resistência, aliás, mortos não resistem, se deixa entregar, mas nunca vai ao chão, como se algo o segurasse, como se seus braços, suas mãos, seu rosto e pernas estivessem presos a uma corda que liga a outras mãos, no alto, e feito um títere vagueia em branco, com seus olhos feridos, suas roupas sem cor, extravasando lágrimas em telas, filmes, músicas e prédios. Não acredita. Aliás, mortos não creêm. Nada que dependa de alguém, em movimentos daqueles ditos superiores, hipócritas disfarçados de livros, herois de cueca sobreposta ao rosto ou agricultores de apartamento. Os livres.
Esse alguém que o conduz, não sabe mais quem é. Acreditava ser alguém, mas ela fugiu. Foi comprar cigarro. Ele sofreu. Aliás, os mortos sofrem. Mas continua preso a alguém. Talvez sejam os pássaros de Saramago. Hitchcock. Talvez às nuvens.
Ou talvez não haja ninguém e ele apenas desistiu.
Mas cuidado, há sombras por onde houver luz.
