Já não posso mentir.
Essas palavras que jogaram em cima da mesa de um bar, essas desculpas que tacaram na brisa do mar, já não se mantêm dentro de um corpo.
E eu não sei como agir. Algo me tira as cordas vocais quando canto, e me decepa os dedos quando escrevo.
Meus olhos já não são capazes de compreender o que se passa dentro de mim. Meus ouvidos já não são suficientes para escutar a quantidade de vozes que ecoa em minha cabeça. Minhas mãos me escapam quando necessito de um toque. E tudo que eu preciso é algo que não sei se existe.
A falta do que eu quero me deixa sem saber discutir sobre sua essencialidade. Até em meus sonhos as perguntas vêm com respostas erradas.
O palácio que contruí caiu e, embora tenha os tijolos necessários para seu retorno, não há mãos suficientes para levantá-lo em tempo ágil.
Há apenas um guri fraco e seu lápis, sem saber pra onde fugir.