Não é falta de vontade de escrever.
Também não me falta lápis e meus cadernos continuam empilhados dentro de mim.
Mas é que me sinto tão perdido. Me sinto fora de mim em todo lugar que vá. Mesmo em casa, me sinto deslocado. Não consigo me envolver nas palavras de ninguém, nada mais me surpreende. Os filmes se tornaram entediantes, os livros me ignoram a cada dia, o pôr do sol se queima antes de mim e a lua mal aparece no reflexo dessas ruas sujas.
Não que eu não me interesse. Eu procuro, tento me encontrar em cada viela, mas tudo que eu acho são mentiras, são tentativas forçadas de se envolverem em determinada raça, de se encaixarem em mais uma gaveta. Penso que tudo ao meu redor é virtual. Tudo muito simples e complexo a ponto de passar despercebido por olhos abertos.
Ligo-me então nas trivialidades. O suor que escorre, a lágrima contida, a formiga que tenta sobreviver ao vento forte, a sombra que só existe com uma luz, o rio que deságua, a chuva que não cai, a inquietude de todos à espera de um trem. Até meus sonhos têm sido tentativas frutadas de luz e som.
Algo me perturba constantemente. Sinto-me inconfiável, heterogêneo.
Mas persisto. Talvez me encontre em alguém, já que em mim não estou.
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domingo, 17 de janeiro de 2010
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