domingo, 13 de dezembro de 2009

eu já não tenho voz pra gritar isso.

Eu tenho tanto a dizer. Eu tenho tanto, tanto medo a soprar.

Queria que tudo fugisse. Tudo sempre foge mesmo. Dê três passos e veja teu sofá se afastando de você.

Eu realmente queria ter coragem, apenas coragem. Pra dizer:

'Aliás, me diz o que você quer, por favor? Porque eu quero viver com você o resto da vida. Quero dividir todos os meus tetos em teu sorriso. Quero que você corra dos meus fantasmas como eu enfrento os teus. Apenas metade, metade do que eu insisto em dizer pra você. A poeira, que seja, do caminho que eu fiz pra chegar até aqui.'

Mas eu não tenho.

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Me diz que eu não estava errado quando abandonei a minha vida pra viver a nossa. Por favor.

Por favor.

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atéquando.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Alice, sou o Chapeleiro.

Cheguei tarde hoje. Não me pergunte sobre o tempo, eu também não sei sobre a richa que ele insiste em manter comigo. Peço para voltar e ele insiste em queimar minha roupa, peço para avançar e ele se mantém como se gelo fosse.
*
De qualquer forma, cheguei. Após algumas mutilações, é verdade, mas insisto em voltar para preparar o que é meu. Experimente encontrar um diamante, lapidá-lo e deixá-lo nas mãos de quem não conhece. Ele voltará a ser carbono, apenas.
*
Enfim, cheguei. Diferente do que partiu, mas voltei, como se ao teu lado fosse meu lugar. O único lugar.
*
Cheguei. Preparei a mesa, há suco de pêssego na jarra verde e bolachas de manteiga a sua frente. Em todos esses bules há chá e em todas essas cadeiras não está você.
*
Cheguei, espero você chegar também.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A cigarra e a formiga.*

Eu vou escrever aqui pra ver se enxugo um pouco isso.

Passei o ano inteiro longe. Desde janeiro me enclausurei num casulo onde apenas eu me alojava. Passei frio, medo, fiquei sozinho. Bem sozinho. Isso por que talvez seja a segunda vez que esteja abandonando a velha cidade abandonada. A primeira foi pior, por que disse adeus a todas as pessoas que me queriam bem e me permaneci dentro delas, como se fosse a décima segunda bala esquecida dentre as mais finas costelas.

Hoje é oficial, e um tanto hilário. Me despeço, mas deixo um pedaço de mim [talvez o melhor] dentro de cada olho d'água. E dessa vez conscientemente.

As lágrimas que provavelmente vão ficar no chão daquela rodoviária imunda vão refletir mais que o barulho do trem. Vão mostrar todos os momentos bons que passamos juntos, todas as vidas que ficaram para trás para nos tornarmos o que somos hoje. Talvez seja bom.

ou não.

Durante todo esse tempo, vocês supriam a ausência que uma moça costurou em mim. Quando eu não sabia o que fazer, vocês me diziam, me defendiam de quem não estava/está tão preocupada comigo. Aliás, gritavam. Gritavam por que sabiam que era a única coisa que eu escutava. Estava meio cego meio a tantas vozes dizendo adeus, bom dia e boa noite.

De qualquer forma, escrevo pra lembrar aquele dia em que conheci vocês, ou pra não esquecer aquela lua, nem as notas desafinadas na praça, as tentativas de embriaguez, a classe inteira transformada em um único amigo, a amiga de última hora e as discussões ridículas. Na verdade eu estou simplesmente transpondo o que está tatuado no meu peito esquerdo há um certo tempo e nunca tive coragem de mostrar.

É tarde.

Parto com um sentimento de revolta, sabendo que nunca fui o suficiente para vocês.

Não se preocupem, talvez eu seja apenas essa metade que vocês conheceram.

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Luh, tua maquiagem está borrada. Miss, vem de allstar. Rick, pensa em você. Fer, simplesmente obrigado. Wagner, seja o que quer ser. Mari, volta. Gabi, eu te amo.